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CONDOMÍNIO FAMILIAR

veja como eu tenho razão, se o telefone tocar na madrugada, se prepare, se é alguém...

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José M. de Assis, 15/01/2020 23h19

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O telefone toca na madrugada, de sobressalto atendo, já que telefone na madruga não é bom indício. Não acredita? Pois preste atenção, um primo, daqueles mais distantes, não no endereço, no convívio mesmo, o que aumenta as suspeitas, comunicando o falecimento de seu pai. Agora veja incrédulo leitor, veja como eu tenho razão, se o telefone tocar na madrugada, se prepare, se é alguém de pouco convívio, nem atenda! Se vista em luto.

Mais tarde, por volta de nove horas da manhã chega à minha casa outro primo, este não distante de convívio, buscava uns documentos necessários para a prefeitura autorizar o uso do mausoléu da família. Juntos, o primo, papai e eu reviramos um velho baú que guardava milhares de folhas de papeis, não encontramos, fomos para intermináveis gavetas, pastas, até que no fundo de uma caixa de sapatos, lá estava o bendito papel.

Meu primo levou para as providências necessárias.
Ficamos papai, mamãe e eu. Mamãe lembrou que a sua família também tem um mausoléu, que quando morrer que ir para juntos aos seus, o papai também, até com certo orgulho dizia querer ir para junto aos seus.

Maria, que estava e deveria ter permanecido fora da conversa, indagou-me, e você José, quer ser colocado junto aos familiares de sua mãe ou do seu pai?

Que pergunta maldita, pensei. Qualquer resposta magoaria um de meus genitores, declinei-me de responder e com um sorriso, perguntei à Maria: Uai, (sou filho de mineiro) tá querendo que eu parta dessa pra melhor logo Maria? Todos riram e me livrei da sinuca de bico em que me encontrava.

Mas pensamentos são coisas que nos perturbam, fiquei o dia todo a pensar em qual seria a resposta correta à pergunta de Maria, e acreditem isso me esquentou os neurônios.

Tanto entre os familiares de mamãe, quanto entre os familiares de papai temos muitas pessoas boas, a maioria por sinal, com as quais eu não teria constrangimento algum em dividir o mausoléu, até porque creio que posto lá dentro não teríamos o doce ou o amargo do conviver, mas aos vivos poderia causar algum constrangimento, tenho tios e primos (de ambas as famílias) que odiariam ir ao mausoléu onde estão os seus entes queridos e lá verem uma foto minha (um ente pouco ou nada querido) com datas acompanhadas de estrela e de cruz, seja lá em qual família me colocarem, haverá sempre alguém a por mal gosto; é que antes não revelei, faço isso agora: não sou dos mais simpáticos, há portanto nas duas famílias quem me ache metido, chato, enfim, penso que todas as famílias são iguais aos seus menos simpáticos.

O dia se passou com essas reflexões, a noite se apresentou, fui ao velório para parecer mais simpático e ganhar o direito de repousarem os meus ossos por ali mesmo, já que depois de morto isso não seria problema para mim, se for para os vivos eles que resolvam as suas neuras.

Trinta ou quarenta minutos no velório achei suficiente para o crescimento da minha popularidade junto àqueles familiares, retorno à minha casa e coloco-me ao computador para esse registro.

Até o início desta crônica, se assim posso classificar esse registro de pensamentos, eu não saberia responder à pergunta de Maria, mas acabo de concluir um plano, vou imediatamente adquirir um terreno num cemitério, construir um mausoléu bem modesto, pois penso que defunto não careça de luxos, ali serei sepultado eu primeiro, depois quantos quiserem, na lápide colocarei duas frases, a primeira minha, a segunda de Mário Quintana, quais sejam:

1 - Sintam-se à vontade para morarem eternamente comigo, sem exceções, aceito todos, mesmo se você não gosta de mim em vida será bem vindo, quem sabe na eternidade haja tempo para você descobrir a pessoa maravilhosa que sou, se fui não sei, mas hoje sou.

E 2 - “Não estou aqui”.


José M. de Assis

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